ESTRESSE OCUPACIONAL: A SAÚDE E O ESTRESSE NO TRABALHO

Thays Araujo

Psicóloga CRP 08/12185

Hipnoterapeuta Ericksoniana

Projetos em Qualidade de Vida e  Grupos de Crescimento e Desenvolvimento Pessoal

No ambiente ocupacional o estresse tem sido uma realidade pesquisada visto que se estima que as empresas brasileiras gastam anualmente 12,5 bilhões de reais com despesas decorrentes de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho (Pastore, 1999, citado pelo Ministério da Saúde do Brasil, 2001). Spielberger e Reheiser (1994, p. 199) afirmam que “o estresse no local de trabalho resulta em custos muito elevados para indivíduos, organizações empresárias e a sociedade em geral, pelos seus efeitos deletérios sobre a produtividade, absentismo, saúde e bem-estar”.

As estimativas dos custos monetários são alarmantes, assim como as estimativas do custo humano pelo impacto na saúde física e psicológica do trabalhador interferindo na sua auto-estima e na sua capacidade de produção e realização. Desta forma, fica clara a necessidade de programas de prevenção às doenças ocupacionais, dentre eles o estresse ocupacional, considerado fator de risco para várias doenças ligadas ao trabalho.

Isso porque atualmente o contexto organizacional caracteriza-se pela globalização, por contínuas inovações tecnológicas e das comunicações. São fenômenos que tem efeitos sobre a sociedade e as organizações, as quais têm passado por profundas mudanças, necessitando se ajustar ao novo cenário competitivo e globalizado do mundo dos negócios, como a horizontalização, o foco no negócio e a terceirização. Neste contexto, as empresas exigem mais de seus funcionários, ocasionando, assim, um aumento constante de estresse em seus colaboradores e os profissionais necessitam cada vez mais desenvolver sua capacidade de adaptação e desenvolver o aprimoramento pessoal e profissional.

O impacto negativo do estresse ocupacional é observado na queda de produtividade, através do decréscimo da concentração e atenção aumentando a desatenção e diminuindo os poderes de observação. As memórias de curto e longo prazo deterioram-se, reduzindo-se a sua amplitude e o reconhecimento, mesmo de aspectos familiares, diminui. A velocidade da resposta torna-se imprevisível, aumentam os índices de erros, perdem-se os poderes de organização e o planejamento em longo prazo. Aumentam as tensões e os distúrbios de pensamento. Ocorrem mudanças nos traços de personalidade e crescem os problemas já existentes. Enfraquecem-se as restrições de ordem moral e emocional e aparecem a depressão e a sensação de desamparo. A auto-estima diminui, podem aumentar ou aparecer os problemas de articulação verbal, diminuir o interesse e o entusiasmo pelo trabalho, aumentando o número de faltas. Os níveis de energia ficam reduzidos, rompem-se os padrões de sono e o uso de drogas pode se instalar. É comum ocorrer o cinismo em relação aos colegas ou a própria clientela e uma tendência a ignorar novas informações resolvendo os problemas de forma cada vez mais superficial (Lipp; Romano; Covolan; Nery, 1986; Fontana,1991).

Portanto, embora o trabalho seja considerado como uma das fontes de satisfação de diversas necessidades humanas, como autorealização, manutenção de relações interpessoais e sobrevivência (Murta; Tróccoli, 2004), também pode ser fonte de adoecimento quando contém riscos para a saúde e o trabalhador não dispõe de recursos para lidar com os fatores que lhe geram estresse.

Desta forma, o estresse ocupacional pode ser definido com ênfase nos fatores do trabalho que excedem a capacidade de enfrentamento do indivíduo ou nas respostas fisiológicas, psicológicas e comportamentais dos indivíduos aos estressores (Jex, 1998; Jones & Kinman, 2001).  Assim, o estresse ocupacional ocorre quando o indivíduo avalia as demandas do trabalho como excessivas para os recursos de enfrentamento que possui.

Para a Análise do Comportamento o processo de estresse pode ser entendido como uma mudança na relação do sujeito com o ambiente devido a alterações ambientais aversivas, o que implica na necessidade de aprendizagem de novos repertórios. Se o indivíduo, diante de uma alteração ambiental aversiva, não apresentar respostas comportamentais adaptativas, pode-se considerar que essa ausência de resposta se constituirá como um problema (Banaco, 2005). Isso quer dizer que o processo de estresse está intimamente relacionado à história de vida do indivíduo, considerando que os pensamentos, sentimentos, regras e auto-regras são aprendidos no decorrer de sua vida, desta forma, acredita-se que as pessoas aprendem a analisar certos eventos como ameaçadores ou não.

Desta forma, as estratégias de enfrentamento de estresse se caracterizam como uma alternativa para redução de sintomas e assim o trabalhador poderá ter mais condições de desenvolver seu trabalho satisfatoriamente por ter sua saúde protegida ao se engajar em comportamentos de enfrentamento adequados que amenizem o impacto psicológico e somático do estresse (Steffy, Jones & Noe, 1990).

Referências:

Banaco, R. (2005, Agosto). Stress e terapia comportamental. Trabalho apresentado no XIV Encontro Brasileiro de Psicoterapia e Medicina Comportamental. Campinas, SP.

Jex, S. M. (1998). Stress and job performance. London: Sage Publications.

Jones, F. & Kinman, G. (2001). Approaches to studying stress. Em F. Jones & J. Bright (Orgs.), Stress: myth, theory and research (pp. 17-45). England: Prentice Hall.

Lipp, M. N.; Romano, A. S. P. F.; Covolan, M. A. & Nery, M. I. (1986). Como enfrentar o stress. São Paulo: Ícone.

Murta, S, G; Troccoli, B, T. Avaliação de intervenção em estresse ocupacional. Psic.: Teoria e Pesquisa. Brasília,  v. 20,  n. 1, 2004. Recuperado em 20 Set. 2007. http://www.scielo.br

Spielberger, C. & Reheiser, E. C. (1994). The job stress survey. Measuring gender differences in occupation stress. Journal of Social Behavior and Personality, v. 9.

Steffy, B. D.; Jones, J.W. & Noe, A.W. (1990).The impact of health habits and life-style on the stressor-strain relationship: An evaluation of three industries. Journal of Occupational Psychology.

3 Responses to ESTRESSE OCUPACIONAL: A SAÚDE E O ESTRESSE NO TRABALHO

  • joselaine says:

    muito boa sua pesquisa, com alternativaspara driblar o estresse!!!!

  • Consultório de Psicologia Clínica says:

    Obrigada Joselaine pelo seu comentário e por sua participação no blog.
    É sempre importante estar atento as possibilidades de lidar com o estresse do dia-a-dia, espero ter ajudado com algumas idéias e possibilidades.

    Um abraço,
    Psic. Thays Araujo

  • Ianne Lindinay says:

    Excelente pesquisa, me ajudou muito no meu trabalho de conclusão de curso, só tive uma dívida em que ano foi desenvolvido seu artigo? 2010 ?

    Grata pela atenção

    Ianne

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